quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Entre negritos e sublinhados
Todo mundo tem uma coletânea de momentos importantes. A maioria desses momentos, não vivenciamos sozinhos, tem sempre um punhado de gente que faz com tudo aconteça. Agora... já passou pela situação de ser a única pessoa a se lembrar de um momento como esse? Precisamos de inúmeras pessoas pra armar o circo e no final de tudo, só você levou a foto do espetáculo armado pra casa?
Eu costumava ficar chateada com situações como essa. 'Como assim você não se lembra disso?' Mas descobri que esses são apenas momentos que eu sublinhei no meu livro. Li e reli essas passagens diversas vezes, e portanto, nunca mais as esqueci. E, sorte a minha, eu sublinho o que eu quiser no meu livro.
Mas existem também aquelas passagens que não fomos nós que escolhemos mas que fazem parte do nosso livro, fazem de nós o que somos. E não estou falando de livre abítrio, estou falando de fatos que fogem do nosso controle e que não conseguimos prever, que batem na gente sem nem sentirmos um ventinho antes. Esses são os negritos.
Como livros de segunda mão, que já vêm sublinhados, você não consegue não prestar atenção neles. Às vezes, você não quer nem reler essas partes, mas elas são tão fortes que fica difícil não ser atraído por elas. O alívio vem que se sublinha um livro de qualquer cor e o negrito ainda está vestido de preto e branco, esperando pra ser bordado com a cor que você escolher.
São duas idéias aqui: os negritos e os sublinhados. Dê o mesmo livro pra diversas pessoas lerem. Todas se lembrarão dos mesmos negritos, que já vieram impressos nas folhas, mas cada uma vai lembrar do seu próprio sublinhado.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Perdida
Sabe quando de repente as coisas mudam, sua rotina muda, suas idéias mudam, só que é tudo tão rápido que você só pode se permitir absorver tudo sem deixar vazar nada? Ao contrário do que possa parecer, estou adorando tudo isso.
É gostoso de vez em quando experimentar e curtir um pouco essa correria meio confusa. Então eu vou inchando... uma hora vai vazar, e a enxurrada vai ser forte!
Estou indo totalmente contra as minhas "regras" de post, mas o título do meu blog foi escolhido justamente pra esses momentos, quando tudo muda e você não tem muito tempo pra mudar os estatutos. Tudo aí em cima foi só uma introdução corrida pro que está abaixo. Não gosto muito de copiar coisas aqui não, mas essa letra faz parte de uma redescoberta que estou precisando ouvir...
Até a minha próxima enxurrada!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Chatos somos...
É fato. Acontece com todo mundo e com certeza, acontece também com você.
Vá fundo. Vasculhe bem, elas estão lá. Agora se concentre nelas e esqueça aquela desculpa esfarrapada de que os outros não entendem o seu gosto. No fundo, admita que você também acha aquilo tudo uma chatice!
Você vai conseguir descobrir que é possível gostar de coisas chatas. É somente das insuportáveis que você não consegue gostar, mas não estou falando dessas coisas. Estou falando de coisas chatas somente.
Sejam músicas, livros, filmes, lugares, atividades e, principalmente, manias! E esse último é o melhor exemplo. Todas as nossas manias são chatas, e conseguimos, de uma maneira bem esquisita e distorcida, amar essas nossas chatices.
Mas quero chegar nas pessoas. Você também gosta de pessoas chatas. É mais difícil gostar delas, porque as pessoas facilmente se perdem em seus limites e cruzam para o lado do insuportável num instante. Mas fiquemos por enquanto com as pessoas chatas.
Somos capazes de nos encantar com elas, de nos libertarmos e simplesmente compartilharmos de suas chatices. Podemos sim, ser cativados por esses perturbadores. Podemos até mesmo atingir o nosso próprio patamar tolerável de chatice.
Você é chato pra alguém. E se até suas manias têm um lugar no mundo, sua chatice será de alguma forma, bem vinda!
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Encaixotada
Se você é como eu, uma daquelas pessoas que adora caixas, que guarda lembranças dentro delas, tenho algumas sugestões para você...
Abra as caixas e jogue todo o seu conteúdo para cima e deixe cair de forma bagunçada, elas não fazem sentido mesmo... se interligaram de uma forma que não se entende e construíram coisas que ninguém previa.
Se certifique de que nenhuma lembrança ficou escondida embaixo de outra. Concorda que é melhor tê-las como tapete, como chão ou até mesmo como degrau, do que, dentro de caixas, como obstáculos a serem desviados?
Pegue as fotos - todas elas, bonitas e feias - os bilhetes - mal ou bem escritos - e arme murais de lembranças grudadas a alfinetes, em seu próprio corpo. Perceba que combinam com seu tom de pele... você é feito dessas coisas.
Quanto aos alfinetes, cada um tem seu tamanho, é verdade, mas todos, sem exceção, deixarão em você uma marca indelével.
Mas se mesmo assim, você ainda não estiver pronto pra se livrar das caixas...
Não se apegue às suas tampas. Elas foram feitas por outras pessoas, com outros objetivos e servem apenas para decorar sua vida com outras lembranças que não as suas. Mantenha-as ao lado das caixas, nunca em cima delas.
Nem tente etiquetar essas caixas, assim você não corre o risco de rotular a sucessão de acontecimentos que foram a sua vida. Acontecimentos são o que são e os rótulos bloqueiam as verdadeiras imagens.
Imagens essas que são suas, só suas. Os acontecimentos podem ser os mesmos dos que estão a sua volta, mas as imagens diferem em ângulo, cores e sentidos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Sobre novos vícios
Passado esse momento "Bebel on drugs" aí de cima, mas deixando a larica fluir...
Acredito que as pessoas se apaixonem pela quebra de barreiras... É isso que procuramos nos outros por quem nos apaixonamos, nas coisas pelas quais nos viciamos.
Cresci com uma irmã que cedo se descobriu uma contadora de histórias. Enquanto ela ganhava bolhas nos dedos escrevendo estórias num caderno com capa de couro lindo que ela ganhou da nossa tia, as minhas bolhas eram cultivadas pintando a coleção de papéis de carta dela.
Com o tempo, ela parou de escrever, e eu nunca parei pra pensar que a minha barreira fosse feita de couro, com folhas numeradas dentro. Mas era, e de couro também era feita a minha paixão.
Meu novo vício, minha torre.
Achei que vícios fossem cultivados naturalmente, mas vendo a dificuldade que tenho muitas vezes de escrever um texto, descobri que não. Que essas paixões são muitas vezes cultivadas a duras penas, com bolhas nos dedos.
Não aquelas das minhas pinturas. Não disse ainda, mas pintava aqueles papéis com as mesmas cores dos desenhos que vinham embaixo. Essas bolhas não servem, são bolhas de cópias. Boas são as bolhas novas, aquelas que mostram que paixões nasceram dali, que quando arrebentam criam novas bolhas, maiores, melhores ou apenas diferentes.
Bom mesmo, são esse nossos novos vícios. Sejam eles quais forem, produzam eles o que de bom produzirem. São neles que nos afirmamos, nos inovamos, incentivamos e apaixonamos... os outros e a nós mesmos.
Porque é de vícios, que se vivem as paixões. E é de paixões, que se vive a vida. Vicie-se.
Obs: esse texto vai direto pro Mundinho da Rox, uma casa muito engraçada... que não tem teto, mas tem fundamento pra um arranha-céu.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Papel de carta
Eu tive essa oportunidade. E as cartas estão bem aqui, do meu lado. Lê-las, pra mim, foi algo revelador. Descobri, através da percepção dos outros, que estou mais perto dos meus objetivos do que eu pensava.
Não estou me gabando. O caminho é longo ainda, mas ainda não tinha percebido que a direção está quase ajustada.
As pessoas falam que devemos ser quem somos, sem a preocupação do que os outros acham de nós, mas... e quando precisamos justamente do outro pra nos dizer que somos quem somos? Não o que devemos ser, mas que somos quem realmente somos.
É aquela antiga fantasia de ser uma mosquinha pra ouvir todas as conversas, de poder entrar na cabeça dos outros. As cartas foram totalmente parciais, admito. Todas com o objetivo de dizer coisas boas sobre mim, mas o engraçado é que nenhuma delas falou aquelas qualidades óbvias, impessoais. Tanto que estou aqui, assustada, escrevendo sobre essa experiência.
Comecei a perceber que quis tanto desenvolver certas qualidades minhas que esqueci de tomar nota sobre o desenvolvimento das mesmas. Esqueci de atualizar a carta que mandaria pra mim mesma.
Bom, o fato é que, logo, essas cartas se tornarão obsoletas. E restará para mim a tarefa de atualizá-las, ainda com o privilégio de não ser apenas uma espectadora, mas uma autora do que quer que seja escrito por cima delas.
As cartas ficarão aqui, como lembrança, como fonte, referência bibliográfica talvez. Mas o que quer que eu escreva agora, não estará numa página em branco. Mas num papel de carta já pintado com um pouquinho das minhas cores.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Olhos azuis
Não sei explicar muito bem como isso acontecia, mas deu pra entender que os olhos não nos deixam mentir. Que seja assim. Eles nos obrigam a sermos sinceros, a sermos afetuosos, a sermos afetados. Porque também aos olhares não se resiste!
Eles não vão brilhar se a piada não for engraçada. Não vão quase explodir se não for de alegria. Não vão corroer se não for de raiva. Não vão derreter se não for de paixão.
E essa lista ainda poderia ir muito mais longe, mas de nada adiantaria já que a sua verificação não pode ser feita de outro modo que não na prática.
Então não tem outro jeito...
...teremos que dormir menos de modo a dizer tanto com os olhos abertos que quando, como os do meu avô, eles se fecharem, estejam em paz!