quarta-feira, 14 de março de 2012

4/30 Sobre expectativas, birras e baús

Toda vez que alguém começa alguma coisa nova, uma fase diferente, uma palavra imediatamente começa a pairar no ar: expectativa. "Quais são suas expectativas?"

SUAS expectativas? Tem certeza de que essa é a pergunta certa? Mal damos o primeiro choro e já tem gente planejando toda a sua vida por você. Natural... até os 3 anos de idade. Porque a partir daí já deveria ser possível identificar que aquele serzinho já expressa suas vontades e toma suas decisões através de seus bem elaborados resmungos e birras.

Tá bom, devo estar exagerando, mas a questão é que se as expectativas para sua vida vierem num baú fechado por outra pessoa, alguma coisa está fora do lugar. E se torna cada vez mais distante desse lugar, onde quer que ele seja, quanto mais tempo demoramos para enxergar essa realidade.

É preciso ter alguém que faça planos POR você somente enquanto é necessário; COM você somente quando é solicitado; e nos outros 95% da vida, é preciso que VOCÊ mesmo encha esse baú e garanta sua segurança a todo custo, pois de boas expectativas, o mundo tá cheio.

Mas... BOAS pra quem?

segunda-feira, 12 de março de 2012

3/30 Sobre as artes

Um acorde em harmonia que traz fluidez pra vida.
Aquelas telas coloridas com os tons da sinceridade.
As grandes esculturas que moldam as portas do seu lugar.
Ou até mesmo uma vaga ideia de onde tudo deveria estar.

Quem pode dizer que nessa vida não tem arte?
Que existe alguém regulando nossa inspiração?
Isso é contra a lei da vida, é um tipo de violência.
Pois alguém um dia disse: Que haja arte. E fizemos parte.

2/30 Sobre nomes

Tem dias que é melhor deixar por conta dos outros.

http://www.youtube.com/watch?v=1eTjuViMsao&feature=youtube_gdata_player

Seja bem vindo a você mesmo.

sábado, 10 de março de 2012

1/30 - Sobre uma dura introdução

Tenho pouquíssima tolerância ao que é falso, ao que soa artificial, ao que se pinta de cores estranhas. Mas de vez em quando, percebo grandes quantidades de tintas de outras paredes cobrindo a minha.

O processo de limpeza é sempre dolorido e incerto, e por vezes paro no meio. Fica tudo difícil de mais, as camadas são profundas de mais e falta energia.

Mas chegou a hora de descobrir uma grande parte dessa parede. E vai doer.

O que sobra quando você abandona o que te deu mais segurança em toda a sua vida?

***

Um amigo me passou o vídeo abaixo que mexeu muito comigo e depois de assistí-lo decidi que já passou da hora de mudar, de me despir, de abandonar esse porto seguro equivocado.

http://www.ted.com/talks/matt_cutts_try_something_new_for_30_days.html

Bem vindo ao meu projeto "Um post por dia". A única regra é a sinceridade.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Babel

Dá trabalho ser você mesmo quando não está acostumado com isso.
Dói muito descascar a tinta que te pintaram.
Demora pra descobrir onde cada peça se encaixa.
Demora um pouco menos pra entender que os compartimentos da sua existência são todos parte de uma só pessoa.

É estranho notar como você se deixa invadir pelo outro, deixa o outro ditar suas regras.
É pior ainda perceber que você nem sabe onde estão suas regras.
É decepcionante perceber que tudo isso é fruto do seu próprio egoísmo.
Que agradar os outros se tornou sua forma mais prática de existir.

Mas aí você também começa a perceber que as respostas podem não estar tão longe e que o caminho não precisa ser tão solitário.
Que é tudo parte de uma mesma transformação.
Aceitar quem você é como uma homenagem Àquele que te criou.
Entender que o processo de cura tem dessas coisas de morrer pra você mesmo.

Quero andar leve e de bem comigo.
Só assim vou conseguir ficar de bem contigo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Costuras

É preciso vestir bem a própria pele
E conseguir mexer todos os dedos
Ter os braços tocando toda a superfície

Só um ombro esticado como cabide permite transitar em suas terminações tanto a dor como o arrepio

É preciso vestir bem a própria pele
E conseguir desfazer todos os nós
Ter os ouvidos descansados pelo silêncio

Só um pé firmado como uma planta consegue saber qual o tempero dos ares que o permeiam

É preciso vestir bem a própria pele
E conseguir eliminar todas as folgas
Ter os remendos superados pelo carinho

Só um corpo bem vestido pode dizer em que número ele se encaixa

sábado, 23 de abril de 2011

Meu companheiro Toddynho

Aconteceu uma coisa terrível... Comi a caixa do Toddynho.

Foi sem querer... 

Eis que eu estava fazendo meu ritual matutino e corriqueiro de tomar o meu amigo de todas as manhãs, o Toddynho. Ele é um bom camarada, sempre foi! 

Até que comecei a sentir uma coisa estranha na minha boca e descendo pela garganta. Mas o gosto do Toddynho estava normal, pois como te falei, ele é um bom camarada, sempre foi! Continuei tomando, tentando afastar da minha mente a possibilidade do meu bom camarada estar me traindo, até que...

Senti um pedaço grande de estranheza entrar na minha boca. Pensei que poderia ser a ponta inferior do meu canudo, porque o canudo é traiçoeiro... Quantas vezes ele já não se escondeu dentro da caixinha evitando que eu curtisse uma boa vibe com o Toddynho, o meu bom camarada, sempre foi.

Qual não foi a minha surpresa quando retirei a estranheza da boca e percebi o que realmente estava acontecendo... o Toddynho, que é um bom camarada, sempre foi, estava soltando pedaços de sua parede interna laminada que estavam sendo ingeridas por mim! Comi muitos pedaçinhos da caixinha do Toddynho, aquele que era um bom camarada, sempre havia sido, até constatar que o pior tinha acontecido.

Acho que vou morrer... se não for pelos perigos de ter lâminas cortantes de Toddynho vagando sem rumo pelo meu corpo, será pelo desgosto da traição daquele que eu gostaria que ainda fosse, o meu bom camarada.